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Marcas que constroem comunidade: o novo ativo de branding na era do pertencimento

Existe um momento exato em que uma marca deixa de ser um fornecedor e passa a ser parte da identidade de alguém. Esse momento não acontece no intervalo de um anúncio nem no clique de um banner patrocinado. Ele acontece quando uma pessoa olha para um grupo de desconhecidos que usam a mesma camiseta, frequentam o mesmo fórum ou defendem os mesmos valores, e pensa: essas são as minhas pessoas. É nesse instante silencioso e poderoso que a comunidade de marca revela seu verdadeiro potencial, transformando consumidores em protagonistas e produtos em símbolos de pertencimento.

No Brasil de 2025, esse fenômeno deixou de ser estratégia de nicho e virou urgência de sobrevivência para marcas que querem crescer de forma sustentável. Com o custo por clique no Meta Ads acumulando alta de 34% nos últimos dois anos e a atenção do consumidor fragmentada em dezenas de plataformas simultâneas, o alcance pago se tornou um recurso cada vez mais caro para resultados cada vez mais efêmeros. As marcas que entenderam isso primeiro não estão apenas economizando verba: estão construindo o ativo de branding mais valioso e menos imitável da era digital. Este artigo explica por que a estratégia de comunidade é o que separa marcas relevantes de marcas esquecíveis, e como você pode começar a pensar nesse caminho hoje.

O que os números de 2025 revelam sobre o fim do modelo broadcast

O relatório Global Trust in Advertising da Nielsen publicado em 2024 com projeções para 2025 confirmou o que profissionais de marketing já sentiam na prática: 92% dos consumidores confiam mais em recomendações de outras pessoas do que em qualquer formato de publicidade paga. Mais revelador ainda é o dado do Edelman Trust Barometer de 2025, que aponta que comunidades de interesse e grupos de pares são a segunda fonte de informação mais confiável para decisões de compra, perdendo apenas para especialistas reconhecidos. O modelo broadcast, aquele em que a marca fala e o consumidor escuta, não morreu, mas perdeu sua capacidade de mover comportamentos de forma isolada. Ele agora funciona apenas como amplificador de algo que precisa existir antes: uma relação genuína.

No ecossistema digital brasileiro, os dados são ainda mais contundentes. Pesquisa da Opinion Box realizada no primeiro trimestre de 2025 mostrou que 67% dos consumidores brasileiros afirmam ter comprado ou considerado comprar um produto após recomendação de alguém dentro de uma comunidade online da qual participam, seja um grupo de WhatsApp, um servidor no Discord ou um fórum especializado. Ao mesmo tempo, o mesmo estudo revela que apenas 18% das empresas brasileiras com faturamento abaixo de R$50 milhões têm uma estratégia formal de engajamento de comunidade. Essa assimetria entre comportamento do consumidor e postura das marcas representa exatamente a janela de oportunidade que marcas ousadas estão aproveitando agora, antes que o mercado se normalize e a vantagem desapareça.

Pertencimento e branding: a psicologia por trás do ativo mais subestimado do marketing

Pertencimento não é uma tendência de marketing. É uma necessidade humana fundamental catalogada por Abraham Maslow na década de 1940 e reconfirmada por décadas de neurociência comportamental. O que mudou nos últimos anos é que as marcas aprenderam, algumas intencionalmente e outras por acidente, que podem ocupar o espaço antes reservado a clubes, igrejas, times esportivos e associações profissionais. Quando a Lego construiu sua plataforma Lego Ideas e permitiu que fãs desenhassem sets que viraram produtos reais, ela não estava apenas gerando conteúdo. Estava dizendo para uma comunidade inteira: você é parte do que somos. O resultado foi uma das maiores reviravoltas de marca da história recente, com a empresa saindo de uma crise profunda nos anos 2000 para se tornar a maior fabricante de brinquedos do mundo.

No Brasil, casos como o da Reserva, a marca de moda masculina carioca, ilustram como o pertencimento e branding podem coexistir de forma autêntica mesmo sem orçamentos de multinacional. A Reserva construiu uma brand community não através de um programa formal de fidelidade, mas através de um posicionamento cultural consistente sobre masculinidade contemporânea, propósito social e humor que ressoa com um público específico. O resultado foi uma base de clientes que não apenas compra repetidamente, mas defende a marca em conversas, publica conteúdo espontaneamente e recruta novos membros por conta própria. Esse comportamento, que especialistas chamam de advocacy orgânico, tem valor de mídia estimado entre três e sete vezes superior ao do conteúdo patrocinado equivalente, segundo metodologia desenvolvida pela Forrester Research.

Co-criação de marca e engajamento de comunidade: como sair da teoria e construir o ativo na prática

Construir uma comunidade de marca não começa com a escolha de uma plataforma. Começa com uma pergunta honesta e difícil: a nossa marca tem algo genuíno a oferecer além do produto? Comunidades prosperam em torno de identidades compartilhadas, desafios comuns, aprendizados coletivos ou causas que unem. A co-criação de marca é o mecanismo que transforma essa ideia em estrutura: quando membros da comunidade participam do desenvolvimento de produtos, na curadoria de conteúdo, na definição de valores ou na resolução de problemas reais da marca, eles deixam de ser audiência e se tornam co-autores. Esse movimento muda fundamentalmente a psicologia da relação, porque ninguém abandona algo que ajudou a construir. Dados da Harvard Business Review de 2024 mostram que membros ativos de brand communities têm taxa de retenção 66% superior à média de clientes não comunitários.

Para marcas que querem sair da teoria e construir essa estratégia de comunidade na prática, o primeiro passo é identificar onde a tribo já existe antes de tentar criá-la do zero. Quem já fala sobre você organicamente? Em que contextos? Com que linguagem? A partir dessa escuta, é possível mapear os rituais, símbolos e valores que a comunidade já compartilha e que a marca pode amplificar com integridade. O segundo passo é criar mecanismos de participação real, não apenas canais de transmissão com botão de comentário. Isso pode ser um conselho de clientes que opina em decisões de produto, um programa de embaixadores que cocriam campanhas, ou um fórum em que especialistas da comunidade ensinam uns aos outros com a curadoria da marca. O engajamento de comunidade sustentável não é construído com frequência de postagens. É construído com profundidade de significado, e isso exige uma equipe que entenda tanto de branding estratégico quanto de dinâmicas humanas.

Construa a sua visão de comunidade com quem entende de branding de verdade

As marcas que vão liderar os próximos dez anos não serão necessariamente as com maiores orçamentos de mídia. Serão as que construíram ao redor de si uma comunidade que cresce, defende e evolui junto com elas. Mas essa construção exige fundamentos sólidos: entender a diferença entre audiência e comunidade, entre fã e membro, entre presença digital e pertencimento real. A LAJE existe para formar os profissionais e líderes capazes de fazer exatamente essa construção, com rigor estratégico, visão criativa e domínio das ferramentas que o mercado exige hoje.

Nos cursos de Branding, Marketing e Inovação da LAJE, você aprende a pensar estratégia de comunidade como parte do posicionamento de marca, não como tática isolada de redes sociais. Aprende a desenhar experiências de pertencimento que geram valor real para o negócio e para as pessoas que o sustentam. Se você quer parar de depender exclusivamente de mídia paga e começar a construir o ativo mais duradouro do branding contemporâneo, o próximo passo está aqui. Explore os cursos da LAJE e descubra como transformar o que você sabe sobre marcas no diferencial que o mercado está buscando.

  • James Pereira
  • junho 2, 2026
  • 8:01 am

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