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Marcas que resolvem: como o brand utility está transformando a utilidade em estratégia de branding no Brasil

Existe uma pergunta que toda equipe de branding deveria fazer antes de lançar qualquer campanha: essa marca está resolvendo algo real na vida de alguém? Não se trata de um questionamento filosófico. É estratégico. Enquanto empresas investem fortunas em storytelling emocional e disputam milissegundos de atenção nas redes sociais, uma geração diferente de marcas brasileiras está construindo relevância de um jeito menos glamouroso e infinitamente mais poderoso: sendo genuinamente útil. Esse é o território do brand utility — e ele está redesenhando as regras do branding no Brasil.

O consumidor de 2026 não é o mesmo de cinco anos atrás. Ele é mais informado, mais cético e brutalmente seletivo com o que deixa entrar na sua vida. Segundo o relatório Edelman Trust Barometer 2025, 63% dos consumidores globais afirmam que só confiam em marcas que demonstram impacto concreto no seu dia a dia — não em marcas que apenas comunicam bons valores. No Brasil, esse comportamento é ainda mais acentuado: pesquisa da Kantar BrandZ 2025 aponta que marcas percebidas como “funcionalmente relevantes” cresceram 2,3 vezes mais em valor do que marcas percebidas apenas como “aspiracionais”. A utilidade deixou de ser um atributo de produto. Virou ativo de marca.

O que é brand utility e por que ele vai além do produto

Brand utility é a capacidade de uma marca de entregar valor prático, funcional e contínuo para o consumidor — independentemente do momento de compra. Não é sobre ter um bom produto. É sobre a marca se comportar como um serviço na vida das pessoas. O conceito ganhou tração global depois que empresas como Google, Nike e Nubank perceberam que a lealdade mais duradoura não nasce de campanhas emocionantes, mas de ferramentas, conteúdos e experiências que resolvem problemas reais. Quando o Nike Training Club ofereceu treinos gratuitos durante a pandemia, a marca não estava sendo altruísta — estava sendo estratégica. Estava plantando utilidade para colher relevância.

No contexto brasileiro, o brand utility se manifesta de formas bastante específicas. O Nubank, por exemplo, nunca foi apenas um banco digital: é uma marca que se posicionou como aliada financeira de quem foi historicamente excluído do sistema bancário. O aplicativo Méliuz transformou cashback em identidade de marca, fazendo com que o consumidor perceba valor a cada interação — não apenas na compra. O Magazine Luiza, com a Lu e seu ecossistema de conteúdo e educação financeira, foi além do varejo para se tornar uma presença útil na jornada econômica de milhões de brasileiros. Esses não são casos de marketing criativo. São casos de branding funcional levado a sério como estratégia central de negócio.

Como transformar utilidade em diferencial competitivo duradouro

A armadilha mais comum quando se fala em brand utility é confundir utilidade com funcionalidade de produto. Um carro confortável é funcional. Uma marca de mobilidade que te avisa sobre pontos de alagamento na sua rota, sugere horários alternativos e te conecta com outros serviços urbanos é útil. A diferença está na intenção estratégica: a marca que pratica brand utility mapeia as fricções reais da vida do seu consumidor e escolhe ativamente se posicionar como solução naquele contexto — mesmo quando isso vai além do seu core de negócio. Segundo o estudo Meaningful Brands 2025, da Havas, marcas que entregam utilidade além do produto têm índices de engajamento 71% superiores à média do mercado.

Para tornar isso um diferencial duradouro, é preciso sistematizar a utilidade como pilar de branding — e não como ação pontual de marketing. Isso envolve três movimentos concretos. Primeiro, identificar os momentos de maior fricção na jornada do consumidor — não na jornada de compra, mas na vida cotidiana onde o consumidor usa, pensa ou precisa do que sua marca representa. Segundo, criar ativos de marca que gerem valor nesses momentos: ferramentas digitais, conteúdo educativo, serviços complementares, comunidades, programas de suporte. Terceiro, medir o impacto desses ativos em métricas de marca — não apenas em conversão. Quando a utilidade vira KPI de branding, ela para de ser iniciativa isolada e passa a ser cultura de marca.

Brand utility e a experiência do consumidor: onde o branding vira relacionamento

A experiência do consumidor é o campo onde o brand utility prova seu valor de verdade. Uma marca pode ter o melhor posicionamento estratégico do mundo — e ainda assim perder para concorrentes mais ágeis se a experiência real de interação não entregar o que promete. É aqui que o conceito de “marca como serviço” ganha força: a marca que cria valor entre as compras é a marca que não precisa competir no momento da compra. Dados da McKinsey de 2025 mostram que consumidores que interagem com uma marca ao menos três vezes fora do contexto de compra têm 5,2 vezes mais chances de se tornarem promotores ativos da marca — o chamado efeito de advocacy orgânico.

No Brasil, o valor de marca em 2026 será cada vez mais determinado pela qualidade dessas interações cotidianas. Marcas que investem em brand utility constroem o que os especialistas chamam de “capital de confiança acumulado”: cada vez que a marca resolve algo para o consumidor, ela deposita credibilidade numa conta invisível que será sacada justamente quando o consumidor precisar decidir entre ela e um concorrente. A Empiricus, com seus conteúdos de educação financeira gratuitos; a Natura, com seus programas de desenvolvimento para consultoras; o iFood, com ferramentas de gestão para restaurantes parceiros — todas essas marcas estão praticando brand utility de forma consistente e colhendo resultados em valor de marca, retenção e expansão de mercado. Não por acidente. Por estratégia.

Se você chegou até aqui, já entendeu que o futuro do branding não está em quem grita mais alto — está em quem resolve mais. E resolver, de verdade, exige uma combinação rara de visão estratégica, compreensão profunda do consumidor e capacidade de traduzir tudo isso em experiências concretas. É exatamente esse conjunto de competências que os cursos da LAJE foram desenhados para desenvolver. Seja no Branding, no Marketing ou em Inovação, você vai aprender a construir marcas que importam — marcas que a vida das pessoas não quer largar. Explore os cursos da LAJE e dê o próximo passo na construção de marcas verdadeiramente relevantes.

  • James Pereira
  • junho 13, 2026
  • 2:30 pm

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