Chief Branding Officer
O programa para líderes que precisam alinhar marca, negócio e comunicação com método, intenção e resultado. Este playbook reúne o conteúdo das aulas do CBO: conceitos, dados, cases, takeaways e, ao final de cada aula, o exercício prático.
© Conteúdo proprietário · Metodologia anacouto · LAJE
CBO is the new CMO
O marketing se expandiu com dados, tecnologia e pressão por crescimento. Hoje se espera que a marca influencie resultado, experiência e decisão de negócio mas não há consenso sobre como essa liderança deve operar dentro do C-suite. O CBO nasce para ocupar esse lugar.
O Chief Branding Officer garante que o branding seja a amálgama da organização: acelera a geração de valor a partir da estratégia corporativa e atua como aliado do CEO, CTO e CFO para dar clareza aos esforços e prioridades do negócio. Estas são as cinco frentes de atuação do CBO, que atravessam todos os módulos: estratégia, reputação, comunicação, experiência e growth.
Reputação
- Gestão da reputação
- Relações institucionais
- PR
Growth
- Dados e performance
- Jornada, funil e conversão
- Canais
- IA
Estratégia
- Definição do código genético
- Plataforma criativa e gestão dos equities visuais e verbais
- Gestão do portfólio de marcas
- Papel do ecossistema de valor
Comunicação
- Publicidade
- Mídia/cluster
- Social
- Endomarketing
- Conteúdo
- Influenciadores
- Promoções
- Eventos
- Patrocínios
Experiência
- Definição das personas
- Jornada do cliente
- Experiência da compra
- Brand moments
- Trade marketing
Sobre a LAJE
Aqui talento vira impacto. A LAJE é uma plataforma de educação e conteúdo que acelera o valor das pessoas, unindo a comunidade, o É, Faz & Fala e suas trilhas de conteúdo sobre o valor da brasilidade, tudo a partir dos desafios reais de marcas e negócios. Une profissionais da economia criativa e empreendedores que querem expandir conhecimento e trocar experiências, num ecossistema com um propósito: acelerar o valor das pessoas, das organizações e do Brasil, de um jeito criativo, otimista e empreendedor.
Agência que acelera o valor dos clientes, unindo marca, negócio e comunicação a partir dos desafios reais da organização.
Ferramenta para gestão contínua de branding que integra dados do consumidor para medir seu poder de gerar negócios.
Plataforma de educação e conteúdo: comunidade, trilha do É, Faz & Fala sobre o valor da brasilidade e o livro que sistematiza o método.
O ecossistema integra grandes clientes e pequenos negócios, gestores experientes e aprendizes, num ciclo contínuo de crescimento.
Índice de módulos
Estratégia de Branding
- Qual o papel do CBO?
- O papel do branding na organização
- Mercado e oportunidades de negócio
- O que o branding resolve
- Estratégia de branding
- Ondas de valor
- Exercício prático: Decodificador de Valor e Positioning Statement
Poder Criativo
- Criatividade no século XXI
- Poder criativo e equação de valor
- Arquitetura de marca
- Exercício prático: Plataforma Criativa
Estratégia em Ação
- Recap: É, FAZ & FALA
- Estratégia em ação
- Gestão integrada de execução
- Cases
- Exercício prático: Mapa de Ação
Branding e Growth
- A mística do crescimento
- Geração de demanda e canais de aquisição
- Experimentação
- Exercício prático: Jogadas de Aquisição
Conteúdo complementar
- Category of One · Nizan Guanaes
- KPIs e métricas de branding e growth
Exercícios práticos
- M1 · Decodificador de Valor e Positioning Statement
- M2 · Plataforma Criativa
- M3 · Mapa de Ação
- M4 · Jogadas de Aquisição
Estratégia de Branding
Professora Ana Couto, CEO
Construir uma estratégia de marca clara e alinhada ao negócio, desenvolvendo uma estratégia de branding sólida.
Agenda da aula
- Qual o papel do CBO
- Qual o papel do branding na sua organização
- Mercado e oportunidades de negócio
- O que o branding resolve
- Estratégia de branding
- Ondas de valor
Qual o papel do CBO?
O branding ainda não ocupa o lugar que o negócio exige. O marketing se expandiu com dados, tecnologia e pressão por crescimento. Hoje, espera-se que a marca influencie resultado, experiência e decisão de negócio. Mas ainda não há clareza, nem consenso, sobre como essa liderança deve operar dentro do C-suite.
Se o negócio ficou mais complexo e mais disputado, não precisamos repensar o papel de liderança que integra tudo isso?
O contexto que tensiona: para dar conta do contexto em que vivemos e dos desafios do negócio, o papel tradicional foi “desmembrado” em funções como:
A complexidade exige um novo olhar. CBO is the new CMO.
Evolução do papel
| De: CMO | Para: CBO |
|---|---|
| Responsável por levar o produto certo, pelo preço certo, ao lugar certo e com a comunicação certa, conectando as necessidades do mercado aos objetivos comerciais da empresa. | Garante que o branding seja a amálgama da organização, acelerando a geração de valor a partir da estratégia corporativa. Toda a organização em torno de uma diretriz clara, atuando como aliado do CEO, CTO e CFO para dar clareza aos esforços e prioridades do negócio. |
O coração e o braço estratégico das empresas
Orquestra plano de negócios e de vendas, lançamento de produtos e serviços, marca, comunicação, reputação, experiência e performance.
Parceiro de pessoas-chave e do board
Acelera o crescimento e agrega estratégia corporativa com branding para trazer resultado. O CBO alinha marca, negócio e comunicação: faz da marca um ativo valioso, entende e atende as necessidades, antecipa tendências e traz inovação.
As cinco frentes de atuação do CBO (estratégia, reputação, comunicação, experiência e growth) estão detalhadas na Apresentação.
O contexto sempre muda
Algumas transformações aperfeiçoam o que já existe. Outras mudam o jogo, as pessoas e os negócios.
O potencial da produtividade (McKinsey): a IA evolui de não participar, para ajudar em tarefas, para executar fluxos inteiros e, por fim, construir sistemas completos.
Novas arquiteturas de times (McKinsey): o trabalho “do futuro” será uma parceria entre pessoas, agentes e robôs.
Estamos vivendo um momento de destruição criativa: redistribuição de valor, mudanças exponenciais, experimentação contínua, times menores, velocidade de execução e IA como infraestrutura.
A tecnologia nunca foi tão democrática. Pela primeira vez, todos têm acesso a essa revolução: a empresa pode acessar inteligência de ponta, o time pode operar com infraestrutura global, o profissional pode criar como uma equipe e a organização pode competir em escala.
Mas não é porque todo mundo pode que todo mundo consegue. A nova vantagem competitiva é cultural: AI First.
“A parte mais difícil da IA não é a tecnologia. É fazer as pessoas mudarem a forma como trabalham.”
Satya Nadella, CEO da MicrosoftA tecnologia é abundante; a cultura é o diferencial. O trabalho do líder deixa de ser supervisionar equipes e passa a ser orquestrar sistemas. Não basta implementar ferramentas: é preciso criar uma nova cultura de curiosidadeexperimentaçãosegurança psicológicacolaboração humano + IArepertório
Vale lembrar: talento é talento em qualquer cenário. Mais de 70% das competências atuais permanecem importantes; a maioria das habilidades não desaparece, elas mudam de contexto. Ganham importância a autonomia e a capacidade end-to-end, a curiosidade e o aprendizado contínuo, o repertório e o prompting, o pensamento sistêmico e a síntese (McKinsey).
O CBO: habilidades indispensáveis
Pensamento crítico
Não aceite a primeira resposta. Questione o óbvio e investigue a fundo para encontrar o problema real antes de tentar resolvê-lo.
Poder de síntese
Saiba filtrar o excesso de informação. O foco é pegar o que é complexo e transformar em um resumo simples que todo mundo entenda.
Olhar antropológico
Observe como as pessoas agem e o que sentem no dia a dia. Entenda a cultura em que a marca está inserida e como as comunidades de lovers são importantes para as marcas.
Reset do mindset
Modelo de organização que dá clareza e ownership para todos no time. Não é mais sobre comando e controle, mas sobre orquestrar times autônomos, curiosos e responsáveis pelos resultados.
Visão de negócio
Entenda como a organização ganha dinheiro. O branding ajuda a empresa a entender como apostar na estratégia certa para capturar valor dentro de ecossistemas complexos.
Perguntas estratégicas
Com respostas cada vez mais acessíveis, o diferencial está na qualidade das perguntas. São elas que ampliam perspectivas, orientam a IA e levam a decisões melhores.
O papel do CBO é ser o grande orquestrador.
As habilidades mudaram; é preciso revisitar os perfis. O CBO conecta marca, negócio, pessoas, cultura, tecnologia e IA para que tudo trabalhe na mesma direção. Crescer com valor é o seu desafio.
O papel do branding na organização
Branding faz parte de um contexto maior da organização.
Diferentes momentos das organizações e o papel do branding
| Momento | Contexto | Papel do branding | Principal medo | Foco do branding |
|---|---|---|---|---|
| 1. Em fase inicial | A marca e o dono são a mesma coisa. O negócio é movido pela proximidade e pela entrega técnica do fundador. O branding é intuitivo e serve para validar o potencial da empresa. | Confiança no sonho | Perda de controle | Na cabeça do fundador |
| 2. Com crescimento acelerado | Crescimento acelerado no curto prazo, com foco em performance, produto e tecnologia. Conforme crescem e se estruturam, o branding ganha espaço. | Diferenciação | Perda de tração | No marketing |
| 3. Controladas e experientes | Já têm instrumentos de gestão e processos. A marca foca em manter a reputação e a confiança que já conquistou; a organização atinge um patamar e posicionamento claros. | Reputação e herança | Commoditização | Na gestão |
| 4. Em mudança estrutural | Mercado ou comportamento do consumidor mudou e é preciso mudar por perda de relevância, conexão ou pressão da concorrência. Traz o branding para mudar o negócio. | Governança | Perda da personalidade | No RH e na liderança |
| 5. Gigantes com poder cultural | Precisa performar em diferentes contextos e mercados e manter um papel relevante no ecossistema. Busca branding para equacionar essa relação e manter relevância na cultura. | Propósito | Perda de significado | Na cultura |
O perfil e o contexto de cada negócio determinam o papel do branding na organização. Para isso, existe método, processo e disciplina.
Antes, as organizações passavam anos em cada estágio. Estamos vivendo um reset das vantagens competitivas das organizações com IA: mais velocidade, mais experimentação, mais eficiência e menos barreiras.
Nesse contexto, o branding é o que direciona a estratégia em ação.
| Antes: bússola | Agora: satélite | |
|---|---|---|
| Aponta a direção. Define um norte. | → | Multidirecional, em tempo real. Conectado, adaptativo e sistêmico. Orienta decisões em movimento. |
| Antes | Depois |
|---|---|
| Estratégia → Execução. Uma fase isolada: 6 meses de plano, depois implementação. | Estratégia em ação, contínua: Aprender → Testar → Ajustar → Medir → Escalar (ATAME). |
É preciso coragem (do latim coraticum, derivado de cor, coração: a ideia de que a coragem vinha literalmente do coração, o órgão associado aos sentimentos e à força interior) e criatividade para continuar, mesmo sem ter certeza para onde vamos. E é preciso estratégia para agir hoje com uma visão de onde queremos chegar.
Nunca foi tão fácil vender. Nunca foi tão difícil ser escolhido.
Se a regra do jogo muda toda vez que o algoritmo muda, como se manter relevante?
Da busca à resposta: SEO e GEO
| SEO · Search Engine Optimization | GEO · Generative Engine Optimization | |
|---|---|---|
| Origem | 29 anos de prática. Termo surgiu em fevereiro de 1997, atribuído a John Audette e popularizado por Danny Sullivan | 2 anos de prática. Definido formalmente em 2024, no artigo de Aggarwal et al. (Princeton/Georgia Tech, KDD 2024) |
| O que é | Otimização para motores de busca tradicionais (Google, Bing): posicionar um site nos resultados de pesquisa | Otimização para motores generativos (ChatGPT, Gemini, Perplexity): ser citado dentro da resposta, antes do clique |
| Maturidade | Quase três décadas de dado acumulado, algoritmo maduro, benchmark estável | Disciplina nascente, amostra menor, maior variância entre fontes |
| Quem lê | O Google | As IAs |
| Lógica | Palavras-chave, backlinks, autoridade do domínio, estrutura técnica, intenção de busca | Autoridade semântica, conteúdo profundo e confiável, consistência com diferentes fontes, dados facilmente interpretáveis, reputação digital |
O funil duplo
Clique (SEO) e citação (GEO) rodam juntos, com métricas próprias em cada estágio.
| Etapa | Funil de clique · SEO | Funil de citação · GEO |
|---|---|---|
| Topo | Ranking e impressão: posição na SERP, CTR por posição | Taxa de citação: a marca aparece quando perguntam sobre a categoria? |
| Meio | Sessão e engajamento: tempo de página, scroll, páginas por sessão | Share of voice na resposta: posição e companhia entre marcas citadas juntas |
| Fundo | Conversão de 2,8%. CAC por canal · ROI ~US$ 8,48 por US$ 1 (3 anos) | Conversão de 14,2%. CAC comparado ao tradicional · ROI ~US$ 3,71 por US$ 1 |
Qual IA está sendo mais usada (share de visitas web, maio de 2026, Similarweb): o ChatGPT ainda lidera, mas caiu de 79% para 53,9% em 12 meses. O Gemini saltou de ~5% para 27,9%, puxado pela distribuição do Google Search e do Android. O Claude foi de menos de 1% para 9,2%, forte em uso profissional e técnico. Completam a lista DeepSeek (4,1%), Grok (2,4%), Perplexity e Copilot (1,3% cada).
A forma de descobrir e decidir o que comprar mudou. O funil de vendas, também.
O jogo mudou
| Antes | Agora | |
|---|---|---|
| Fronteiras estáveis entre indústrias | → | Ecossistemas fluidos e cross-industry |
| Concorrência vem de competidores diretos, controla a jornada | → | Novos entrantes redesenham o jogo; compete-se dentro do ecossistema de valor |
| Cliente compra um produto | → | Cliente quer uma omniexperiência que convida a criar uma relação |
| Falar com todo mundo, vender para uma pessoa | → | Coerência do posicionamento, falar com cada pessoa, se relacionar com a comunidade |
| Ganha o mais eficiente | → | Ganha o mais coerente e adaptável |
Gestão de valor é estratégia em ação.
Testar, medir e reinventar o tempo todo, com foco em onde você quer chegar.
A IA mudou a forma de procura.
Crescimento não vem do clique, vem do repertório digital. O papel do CBO é incentivar e aplicar uma cultura em que testar, aprender e otimizar fazem parte do processo de construir.
Mercado e oportunidades de negócio
Como o branding é usado para acelerar o valor da organização? É importante entender o contexto que estamos navegando.
Quais dores a estratégia de branding deve resolver?
- Entrada de novos players
- Perda de relevância cultural
- Concorrência mais bem posicionada
- Queda de indicadores de marca
- Dependência de preço/promoção
- Novos comportamentos de consumo
- Transformações tecnológicas
- Mudanças culturais e de valores
- Novos modelos competitivos
- Fragmentação de canais
- Mudança de portfólio
- Entrada em novos mercados
- Fusões ou reestruturações
- Novas fontes de receita
- Mudança no go-to-market
Quando o ecossistema acelera, é preciso ter clareza sobre:
- Qual tensão ou dor você está resolvendo
- Quem você é
- O que você oferece
- Qual o significado da sua narrativa
Se você tivesse definido o DNA do seu branding desde o primeiro dia, o que teria sido diferente na sua jornada?
Podcast É, Faz & Fala · S02EP01Intenção
O nome “Nubank” e a cor roxa não eram escolhas óbvias para um banco, mas faziam parte da intenção de construir algo simples, transparente e contra o padrão do mercado. Em 2025, 131 milhões de clientes e receita de US$ 16,3 bi.
É · Faz · Fala
É: straightforward, approachable, youthful, resourceful. Arquétipo: fora da lei. Propósito: simplificar a complexidade e empoderar as pessoas. Faz: facilita a vida dos usuários ao ser simples e eliminar atritos. Fala: “Finalmente você no controle do seu dinheiro”.
Resultado
Mais de 140 milhões de clientes em Brasil, México e Colômbia, taxa de atividade de 83% no 1T26, a maior plataforma bancária digital do mundo fora da Ásia e a quarta maior instituição financeira da América Latina em número de clientes.
Novo jogo × jogo antigo
Fundado em 2013, 112 milhões de clientes. Um banco fundado em 1924, 100 milhões. Ambos com R$ 5,5 bi de lucro no 2T26 (Estadão/JP Morgan).
Tem certeza de que está jogando o jogo certo? Vencer pelas regras antigas pode significar perder o novo jogo.
Desconstruindo falsos dilemas
“Investir em branding é perda de tempo e dinheiro.”
Branding é o que faz você ser lembrado, escolhido e defendido. A Zee.Dog, criada em 2012 para transformar produtos para pets em objetos de desejo, chegou a 55 países, abriu loja conceito em Nova York e foi adquirida pela Petz por R$ 715 milhões em 2021.
“Primeiro vem o produto; branding pode esperar a empresa crescer.”
Primeiro vem a visão, a necessidade e a oportunidade: entender o consumidor. Depois, a solução. O Airbnb vende a sensação de pertencer a qualquer lugar: US$ 12,4 bi de receita em 2025 e mais de 2,5 bi de chegadas de hóspedes.
“Performance vende. A marca apenas apoia o crescimento.”
Performance converte a demanda existente. Branding expande a recordação, a preferência e a recorrência. O Duolingo transformou linguagem, humor, personagem e tom em ativo de negócio: 52,7 mi de DAUs, US$ 1,037 bi de receita e mais de US$ 1 bi em bookings em 2025.
“Quanto mais AI-first, mais genérica a organização.”
Não é a IA que gera mesmice, é o uso sem critério. No Projeto Fizzion, a Coca-Cola troca um manual estático de 400 páginas por uma IA guiada por designers, que aplica a lógica visual da marca em escala global sem virar cópia genérica.
O branding na organização evolui o modelo de negócio
- Pioneirismo não garante liderança. A Netflix chegou primeiro no Brasil, virou sinônimo da categoria e mudou o hábito dos consumidores. Em 2025, perdeu o 1º lugar em usuários ativos para o Prime Video; em 2026, o 2º para a Disney+. O Globoplay, que poderia ter relevância com conteúdo local, não conseguiu navegar (Snaq).
- Crescimento a todo custo não se sustenta. A Theranos nasceu em 2003 prometendo revolucionar os exames de sangue e chegou a US$ 9 bi de valuation em 2015. No mesmo ano, o Wall Street Journal revelou que a tecnologia não existia; a fundadora foi condenada em 2022 a mais de 11 anos de prisão.
- Personalidades são ativos do negócio. WePink (Virginia Fonseca, 56 mi de seguidores): fundada em 2021, avaliada em ~R$ 1 bi, faturou R$ 1,4 bi em 2025 e R$ 26 mi num único dia de Black Friday. Fenty Beauty (Rihanna, 145 mi de seguidores): fundada em 2017, valuation de US$ 2,8 bi, ~R$ 4,1 bi em 2025 e US$ 100 mi nos primeiros 40 dias.
- Concorrência se define pela dor, não pela categoria. Visa e Mastercard, rivais históricas, se unem para promover o pagamento por aproximação; Apple, Google e contas de pagamento assumem a interface com o cliente. O PIX mudou a linguagem do consumo: 58% dos brasileiros usam todo dia, 20 bi de transações por trimestre (2025), crescendo 30% ao ano (Banco Central).
- Diferenciação captura mais valor. Starbucks combina cobranding, recorrência (em 2024, gift cards e app acumularam US$ 1,83 bi em caixa antecipado) e experiência (Starbucks Reserve, com 6 unidades exclusivas no mundo).
- O jogo mudou: quem ganha é o ecossistema, não a categoria. O iFood movimentou R$ 150 bi em valor bruto em 2025, compete em delivery, mídia, serviços financeiros e benefícios, e vai investir R$ 24 bi no ecossistema nos próximos 12 meses.
- Bundle e rundle. A lógica do ecossistema substitui a lógica do produto: simplificação para o usuário, garantindo a fidelização, e expansão da proposta para dentro do ecossistema, reduzindo churn.
Quando o branding é aliado a uma mudança de modelo de negócios, sua organização navega entendendo como pode potencializar seu papel no ecossistema.
Modelo de negócio aliado a uma marca forte gera oportunidades além do core.
O desafio é se manter relevante.
Captura de valor: quem entende a dinâmica de ecossistema.
Saber quem pode ser disruptado, e como.
O que o branding resolve
Branding é aceleração de valor. E o valor é uma equação.
Relevância
Hoje é fácil conquistar atenção. O difícil é permanecer relevante.
Branding aprofunda o conhecimento sobre o seu cliente. Estamos construindo algo que continua importando? Quando tudo muda, toda organização precisa se perguntar: quem ainda é o seu cliente de verdade, por trás das personas, clusters e CRM?
| Persona | Cluster | Consumidor estratégico | CRM |
|---|---|---|---|
| Público que é a base para desenvolver jornadas de comunicação e experiência, definindo perfil com cruzamento de CRM e pesquisas quanti e quali. | Olhar para o mercado: públicos para comunicação de atuais e novos clientes. Cruzamento e alimentação TGI. | Personas + clusters + visão de negócio. | Entender quem está na base de clientes para conhecer mais e vender melhor. |
Uma marca só importa quando faz diferença na vida de alguém. Antes de ser importante para as pessoas, é preciso começar se importando com elas. Senso (dados, padrões, sinais) + sensibilidade (escuta, contexto, cultura) = conexão.
O que acreditamos.
Que mudam.
Com que nos identificamos.
As pessoas se conectam pelo que compartilham. Tem uma coisa que não muda: ser relevante é se conectar de fato com as pessoas. Seu verdadeiro trunfo é a sua comunidade.
O trunfo
Quem conhece não quer que ninguém mais descubra, para não aumentar a demanda e o preço.
Missão
Herbíssimo, responsável pelo crescimento acelerado da Dana, era conhecida pelo custo-benefício, com baixo awareness. Precisava se descolar da ideia de que o potinho “é bom porque é barato”, vencer desafios de distribuição e apresentar um portfólio além do pote de creme.
Plataforma
Tensão: cuidar da autoestima não precisa ser burocrático e chato. Propósito: autoestimíssima que se passa pelo corpo. Tagline: Poderosíssimo.
Relevância garante que você tem algo a dizer. Mas o que vai fazer alguém prestar atenção em você?
Diferença
Existe uma razão clara para alguém escolher você? O que é diferente quando tudo é igual? Precisamos nos diferenciar para sobreviver ao canibalismo de ideias, comportamentos, conteúdos e produtos cada vez mais iguais.
Varejo experimental
As lojas são como galerias de arte e se renovam a cada 21 dias, criando experiências memoráveis.
Produto diferente
Produtos pensados para perfis asiáticos.
Collabs inesperadas
A collab com o BLACKPINK vira universo: game mobile e pop-ups em várias cidades.
Missão
Categoria com códigos comuns. Organizar o portfólio e comunicar as diferenças entre tipos, tamanhos e formas de produção, representando marcas que atendam à nova demanda por saúde. Como gerar corresponsabilidade para criar bem-estar animal?
Plataforma
Tensão: adoro comer ovo saudável e me importo com o bem-estar animal, mas acho o ecochato muito chato. Propósito: tornar o mundo livre, leve e ovo. Tagline: É maravilhovo. Ao revisitar seus pilares, conecta-se ao cotidiano e entende os desafios e a beleza das relações dentro de casa.
Resultados desde nov/2023
Top of mind entre marcas de ovos de galinhas livres. +26% em volume (mercado +8%, ou 225% acima) e +36% em faturamento (mercado +11%, ou 200% acima). Prêmios: LAD Design Awards 24, Prêmio Brasileiro de Design 22 e 24, iF Design 24, Effie 2025.
Ser diferente é construir novos significados para o seu valor. Mas você fica com esse valor?
Captura
O seu valor fica com você, ou vai parar na mão de alguém? Você precisa entender como as empresas e marcas estão capturando valor para entender o mundo de hoje.
Lógica de ecossistema
Quem é meu concorrente? Delivery, mídia, serviços financeiros e benefícios. Quem ganha é o ecossistema, não a categoria.
Multiplicação de valor
Expandir e capturar valor além do core business, para todos os públicos do ecossistema.
Resultado tangível
O ecossistema movimentou R$ 150 bilhões em valor bruto (iFood, 2026).
Missão
A Intelbras era forte em conhecimento, mas sem clareza do seu papel em tecnologia, segurança, energia e conectividade. Amplo portfólio e múltiplas frentes diluíam a percepção da marca. Era preciso traduzir a complexidade técnica em valor percebido, entendido e escolhido.
Solução
Uma nova marca monolítica para simplificar a oferta no varejo e tornar a comunicação mais clara. Reforça flexibilidade e adaptabilidade, traz a disponibilidade para resolver cada desafio e coloca a pessoa como protagonista. Três públicos, uma estratégia: B2C (faça você mesmo), SMB (preciso de instalação), B2G (preciso de um projeto).
Resultado
31% mais brasileiros passaram a entender o que a Intelbras faz. +32% em vendas diretas B2C e +27% em geração de leads B2B vs. 2024; +426% acima da meta de usuários na LP de B2G.
Controlar a escolha é capturar o valor. Mas como garantir que isso seja constante?
Coerência
Você entrega o que promete? Coerência = consistência nas suas expressões + clareza e disciplina do seu papel no mundo.
Pepsi
Ao reduzir uma tensão social complexa, a Pepsi perdeu o direito de estar naquela conversa: usou uma influenciadora fora do contexto, o backlash expôs a falta de legitimidade e a campanha foi retirada, virando símbolo de oportunismo.
Desafio
Símbolo da brasilidade que, com a expansão global, adquiriu personalidades diferentes em cada país. A missão foi levar a iconicidade para o mundo e elevar a marca além do funcional.
Solução
Propósito apoiado na força de símbolo de liberdade e um sistema único global de identidade visual, para gerar consistência e diferenciação em qualquer ponto de contato.
Ser coerente com seu propósito é ter disciplina na jornada.
Equação de valor = relevância + diferença + captura + coerência.
São regras importantes do novo jogo.
Não fique paralisado por falsos dilemas.
Importante é agir, mas com filtro estratégico para saber a hora do não.
Estratégia de branding
Branding se mede. Branding se traduz em resultado.
Estratégia corporativa × estratégia de branding
| Estratégia corporativa | Estratégia de branding |
|---|---|
| Visão de futuro · objetivos e metas · mercado de atuação · portfólio de negócios | Alinha passado, presente e futuro · aumenta a percepção de valor · dá vida e acelera a estratégia corporativa · fideliza o cliente |
| Objetivos e metas: market share, conversão, margem bruta, churn rate, LTV, CAC, taxa de retenção de talentos | Gestão de valor: brand preference, pricing power (poder de precificação), NPS, share of voice, awareness, eNPS |
Estratégia em ação: na implementação, definir prioridades, metas e métricas de evolução.
Método É, FAZ & FALA
O poder de uma organização está naquilo que ela é, faz e fala. O propósito alinha o que somos, fazemos e falamos.
É
Personalidade e expressões para construir uma marca icônica. O poder de identificar quem somos.
FAZ
Proposta de valor para construir experiências memoráveis. O poder de fazer o cliente se encantar e querer voltar.
FALA
Narrativa para dar consistência e conectar com as pessoas. O poder de influenciar e mobilizar.
- Resolver uma tensão clara da sociedade
- Guiar todas as decisões
- Engajar as pessoas
- Integrar marca, negócio e comunicação
- Estar em ações, não só em palavras
- Fortalecer um ecossistema
- Evidenciar qual o impacto para a sociedade
- Inspirador: “Em todo corpo tem um atleta.”
- Solucionador: “Organizar as informações do mundo.”
- Humanista: “Bem estar bem.”
O denominador comum é usar o propósito para evoluir o negócio e construir valor para as pessoas e para o mundo.
Propósito
Tensão: quando falta energia, a gente paralisa. Propósito: criar e transformar energia para impulsionar a vida. Tagline: Prontos e energizados.
O poder de identificar quem somos (É)
Identificamos os gaps de percepção e definimos DNA e personalidade: impulsionadora, ponta firme, empática, presente.
Para o cliente se encantar e querer voltar (FAZ)
Definimos a proposta de valor e a jornada para fidelizar. Uma proposta de valor clara direciona o negócio, principalmente em momentos de crise ou grandes mudanças: inovação em portfólio completo de energia, força motriz das cidades inteligentes, atendimento resolutivo e multicanal, valorização da energia de quem faz a cidade acontecer.
Para influenciar e mobilizar (FALA)
Definimos como a marca fala e comunicamos seus diferenciais para engajar e conquistar o público.
Visão sinérgica do branding com a estratégia corporativa.
O branding se adapta à maturidade da organização e potencializa seu modelo de negócio, garantindo evolução contínua.
O método É, FAZ & FALA alinha marca, negócio e comunicação.
A partir da tensão e do propósito, essa sinergia gera valor consistente e diferenciação competitiva para trazer coerência.
Ondas de valor
Como isso influencia a gestão de valor das organizações? O branding muda a lógica da gestão de valor.
| Marketing | Branding | |
|---|---|---|
| Gestão de valor a partir da oferta | → | Gestão de valor a partir da visão de mundo |
| Sai de: preço, produto, promoção, praça | → | Vai para: produtos, pessoas, propósito |
Qual é a dinâmica de valor do branding?
| Onda 1 · Produto | Onda 2 · Pessoas | Onda 3 · Propósito | |
|---|---|---|---|
| Definição | Uma oferta bem construída, com proposta de valor clara, que atrai o usuário e estimula a conversão | Fazer parte da vida das pessoas, mantendo um vínculo afetivo e comunitário | Ter uma visão potente e relevante que dá o norte do negócio e impacta o mundo |
| Marca | Conhecimento | Identificação | Visão de mundo |
| Negócio | Custo-benefício | Fidelização | Ecossistema de impacto |
| Comunicação | Diferenciais | Conexão emocional | Mobilização |
| KPIs | Brand awareness, taxa de conversão, download de aplicativo, vendas e market share, leads, acessos ao site, share de busca | Consideração, brand equities, LTV, cross-selling, recompra, taxa de rejeição, base de seguidores | Preferência, engajamento, BVS, NPS |
Contexto
Se fosse um país, seria a 35ª população do mundo: 45 milhões de torcedores. Clube brasileiro com mais títulos no século 21 (1 Mundial, 4 Libertadores, 1 Recopa, 9 Brasileiros, 5 Copas do Brasil, 3 Supercopas, 40 Cariocas). A maior plataforma de mídia do Brasil: 87 milhões de seguidores, media house, produção diária de conteúdo e mobilização em tempo real.
Valor além do campo
Faturamento de €202,7 mi, o 29º do mundo, contra €1.161 mi do Real Madrid, €974 mi do Barcelona e €860 mi do Bayern. O Flamengo já era uma potência, com reestruturação financeira desde 2012, gestão responsável e resultado dentro e fora de campo, mas ainda não operava como uma plataforma.
Desafio
Construir uma estratégia de branding relevante, consistente, diferenciada e proprietária para fazer do Flamengo o time brasileiro com maior faturamento do futebol mundial. Limpar, organizar e fazer a gestão do portfólio de marcas, entendendo o papel e a proposta de valor de cada uma. Crescer traz uma nova responsabilidade: organizar o ecossistema para continuar evoluindo, com o torcedor no centro.
Processo
5 sprints com comitê, 9 worksessions com a equipe, 1 plataforma de sportainment, 18 marcas trabalhadas e 2 plataformas criativas. Partimos do princípio: qual o negócio do Flamengo? Mais que um clube, uma plataforma de sportainment: esporte, entretenimento, produtos, serviços, conteúdo e paixão.
Portfólio: de onde partimos
Fragmentação da organização e do valor de marca, dificuldade de gestão e necessidade de mais investimento, lentidão na tomada de decisão e comunicação confusa. A partir do novo modelo de negócios, a gestão de portfólio levou do “de” para o “para”.
É · Faz · Fala
Se o modelo de negócio mudou, como o rebranding acelera essa evolução? O código genético é como a organização deseja ser percebida: cada uma tem o seu, ele determina quem ela é e vale para toda a vida. Tensão: na realidade que pesa, o Flamengo alivia. Arquétipo: Mago. Propósito: trazer magia para o dia a dia da Nação. É: magnética, irreverente, apaixonante, onipresente. Faz: plataforma de sportainment integrada, conteúdo que conecta, encanta além do campo, a magia do legado. Fala: “Onde tem Flamengo, tem magia.”
O propósito se justifica em três ideias: a magia nasce no jogo, mas vai muito além (o Flamengo é encanto que cura e alivia na rotina que pesa); “dia a dia” ativa a ideia de presença constante (o Flamengo participa da vida com frequência, não só em dias de jogo); e só o Flamengo tem escala, presença e verdade para assumir esse lugar.
Plataforma criativa do Flamengo
O método proprietário da anacouto cria marcas dinâmicas, vivas e culturalmente potentes: sistemas vivos, cocriados, em ecossistemas abertos.
Traduz a magia e a beleza dos movimentos do atleta e da torcida, evocando a cultura flamenguista e o futebol arte.
Cores contrastadas, vibrantes e gradientes luminosos, narrando o brilho rubro-negro.
Trabalha seus ícones (atletas, torcida, urubu, listras) de forma épica e grandiosa.
Linguagem magnética, como um chamado a se encantar e também encantar o mundo.
Aplicações proprietárias: experiência de jogo, comunicação, redes sociais e lifestyle. Repertório cultural: hinos e cantos (“Acima de tudo”, “Onde estiver, estarei”, “Sempre Flamengo”), moda e estilo, o urubu, história e fé (São Judas Tadeu), gráficos, personalidades, cotidiano carioca e expressões. Na comunicação, era preciso trazer para a vida a magia do Flamengo no dia a dia: o Flamengo já é presença, não ocupa espaço apenas no futebol, ocupa espaço no cotidiano.
É preciso surfar as ondas de valor
O Flamengo é uma potência além dos campos: está com você no dia a dia, com experiência de jogo, nos estilos das ruas e nos conteúdos para torcedores.
Maior nação do mundo, abraçada por um manto que conecta 45 milhões de pessoas com a mesma garra de vencer, vencer, vencer.
Trazer a magia para o dia a dia da Nação. Onde tem Flamengo, tem magia.
Estratégia se prova certa com disciplina de medir resultados.
Assim sabemos que estamos no caminho certo.
Ondas de valor.
Produto: performar bem com diferenciais claros. Pessoas: gerar identificação com seus consumidores. Propósito: ter um papel claro no mundo.
Principais takeaways
O papel do CBO é ser o grande orquestrador.
As habilidades mudaram; é preciso revisitar os perfis. Crescer com valor é o seu desafio.
Gestão de valor é estratégia em ação.
Testar, medir e reinventar o tempo todo, com foco em onde você quer chegar.
A IA mudou a forma de procura.
Crescimento não vem do clique, vem do repertório digital. Testar, aprender e otimizar fazem parte de construir.
Modelo de negócio + marca forte = oportunidades além do core.
O desafio é se manter relevante.
Captura de valor: entender a dinâmica de ecossistema.
Quem pode ser disruptado, e como.
Equação de valor.
Relevância, diferença, captura e coerência são regras importantes do novo jogo.
Não fique paralisado por falsos dilemas.
Aja, com filtro estratégico para saber a hora do não.
Visão sinérgica do branding com a estratégia corporativa.
Adapta-se à maturidade da organização e potencializa o modelo de negócio.
É, FAZ & FALA alinha marca, negócio e comunicação.
A partir da tensão e do propósito, gera valor consistente e diferenciação.
Estratégia se prova com disciplina de medir resultados.
Assim sabemos que estamos no caminho certo.
Ondas de valor.
Produto com diferenciais claros, identificação com as pessoas e um papel claro no mundo.
Decodificador de Valor
Decodificar o valor das empresas case: identificação de promotores, detratores e aceleradores para dar clareza dos pontos de melhoria e do potencial de crescimento.
Exercício em grupo: cada grupo aplica o framework à empresa case do seu briefing.
Instruções
- Individual (10 min): cada pessoa escreve post-its para cada coluna.
- Grupo (20 min): colar no board (físico ou digital) e agrupar ideias similares.
- Priorização (10 min): votar nos 2 itens mais críticos de cada coluna.
Dica: use cores diferentes para os post-its. Verde para promotores, vermelho para detratores, amarelo ou laranja para aceleradores.
Promotores
São as forças e vantagens que a organização já tem e que a impulsionam na direção dos seus objetivos.
Detratores
Quais são as fragilidades e questões que prejudicam, desperdiçam valor da marca/do negócio? Quais são os pontos de dor?
Aceleradores
Quais são as oportunidades para performar melhor, evoluir o negócio e fidelizar seu consumidor?
Promotores
Forças e vantagens que a organização já tem e que a impulsionam na direção dos seus objetivos.
Detratores
Fragilidades, pontos de dor e questões que desperdiçam valor?
Aceleradores
Oportunidades para evoluir o negócio e ampliar conexão com públicos?
Positioning Statement
Positioning statement das empresas case: uma frase que define o que uma marca, produto ou serviço faz, para quem se destina e por que é diferente dos concorrentes.
- Público-alvo (ICP): quem é o cliente ideal?
- Necessidade ou problema: qual dor do cliente o produto resolve?
- Categoria: em qual mercado ou setor a marca concorre?
- Diferencial: o que torna a marca única ou melhor que as alternativas?
É uma frase que define o que uma marca, produto ou serviço faz, para quem se destina e por que é diferente dos concorrentes.
Público-alvo (ICP): quem é o cliente ideal?
Necessidade ou problema: qual dor do cliente o produto resolve?
Categoria: em qual mercado ou setor a marca concorre?
Diferencial: o que torna a marca única ou melhor que as alternativas?
Poder Criativo
Professor Danilo Cid, Sócio e VP de Criação
Criatividade no século XXI
Criação gera impacto quando provoca emoção, aventura e encantamento, as mesmas três coisas que movem a criatividade desde a infância: carros, heróis e carnaval.
Todos somos criativos. Criatividade é aspecto fundamental do ser humano e direito de nascença: todos criamos uma experiência de realidade.
Criatividade não se força. É remover bloqueios, limpar o terreno e abrir espaço interno. Cria as condições para receber.
Rick Rubin, The Creative Act: A Way of BeingVivemos tempos de inflexão em como vivemos, trabalhamos, aprendemos, empreendemos e criamos. A IA promete transformar humanos em super-humanos. A fotografia levou 149 anos para chegar a 1,5 bilhão de imagens; a IA chegou lá em 1,5 ano. O cenário é distópico, ruidoso, saturado, complexo e acelerado: menos certeza, mais busca por clareza.
Criatividade, skill fundamental do século XXI
- Para entrar na vida das pessoas com significado.
- Para reimaginar com curiosidade e criar soluções e inovações.
- Para fazer da IA mais que um copiloto: uma segunda mente (second brain, termo de Tiago Forte).
- Para ser flexível em se adaptar e se reinventar.
Exemplos: a Squarespace poderia ter feito só um filme sobre um problema real de negócio, mas se comportou como plataforma criativa (Emma Stone e Yorgos Lanthimos). A Gentle Monster fez de “The Circle of Life” arte, publicidade e moda, com a primeira campanha leiloada como NFT.
Marcas como plataformas criativas
Em um mundo multiconectado e cocriado, o conceito de marca evolui do estático, linear e rígido para o dinâmico, múltiplo e diretivo. As antigas regras fixas não aguentam a velocidade cultural. Marcas consistentes hoje funcionam como sistemas vivos: princípios claros que partem do propósito e respondem a uma tensão humana, direção forte e espaço real para evolução e coautoria.
Dor do consumidor que precisamos resolver.
Como a organização usa seu talento e poder para fazer o mundo melhor.
Características que definem quem a marca é; base de toda a expressão.
Frase que comunica e sintetiza o posicionamento.
Dão significado, geram reconhecimento e criam uma narrativa de enredo. Dão direção para a criação.
Momentos memoráveis da jornada que criam diferenciação e fortalecem os territórios a ocupar.
Pontos de contato que reforçam os equities da marca.
Plataforma
Legado francês que equilibra sports-chic lifestyle e heritage & roots.
Expressões criativas
Iconic crocodile, born from tennis, modern French elegance, sport life-style and fluidity. Verde, listras, elegância francesa.
Poder criativo e equação de valor
Como usar o poder criativo para potencializar a equação de valor da sua organização? Mantenha em mente a sua marca e passe por cada fator.
1 · Relevância
A capacidade da marca de estar em sintonia com o que importa, cultural, emocional e funcionalmente, no exato momento em que importa.
Só quem entende o contexto e dialoga com as tensões humanas é convidado a participar da vida das pessoas.
Tensão humana é o espaço onde forças opostas coexistem: desejo e medo, tradição e inovação, pertencimento e individualidade. É nesse atrito que nascem insights poderosos. Pergunte: “o que está pegando nas pessoas?”. Busque onde há conflito interno (“quero estabilidade, mas não quero me acomodar”), paradoxo cultural (“somos hiperconectados, mas nos sentimos sozinhos”) ou choque de eras (“fui criado com valores X, mas vivo em um mundo Y”).
Ser relevante é ler cultura (identificar movimentos, sinais e mudanças que remodelam o mundo) e entender tensões humanas (localizar os conflitos que movem desejos, escolhas e emoções). A proliferação do gênero terror no cinema, com subgêneros e recordes de bilheteria, mostra um zeitgeist que traduz a ansiedade cultural do momento. O projeto de Anitta que dialoga com candomblé, semba, bossa nova, samba e funk, com respeito à comunidade e a quem veio antes, mostra relevância construída na cultura.
Missão
Reposicionar a Cásper sem parecer antiga e construir um futuro que dialogasse com novas gerações, formatos e dinâmicas de mercado.
Contexto
75% dos jovens querem ser influenciadores, fake news tensionam a credibilidade e o ensino superior perde espaço. A Cásper tinha ativos valiosos, mas percepção defasada.
Estratégia
Não atualizar a Cásper: reafirmar seu papel. Propósito proprietário “comunicar é poder”, personalidade mobilizadora, resiliente e paulistana, e proposta de valor centrada na formação de protagonistas.
2 · Diferença
A capacidade de uma marca se tornar claramente distinta na percepção das pessoas pelo seu jeito de ser, fazer e falar.
Sem ela, a marca fica invisível, apenas mais uma. O cérebro não lembra, e comunicar fica muito mais caro.
“O importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê.”
Arthur SchopenhauerUm dia é novidade; no outro, se reproduz em série. O padrão vira o que antes era diferenciado.
Como chegar lá: encontre o ângulo que ninguém explorou no mercado (água precisa ser desinteressante? Uma marca de água chegou a US$ 1,4 bi quebrando regras) e subverta alguma regra da categoria (o Duolingo soletrando nomes de luxo mal pronunciados numa coleção na NYFW). Para diferenciar na categoria, olhe para cima.
Diretrizes estratégicas
1. Marca única, com Talt como nome de produto. 2. Propósito que reimagina o design para dar vida ao calor brasileiro. 3. Marca que se afasta da matéria-prima e reforça robustez, coolness, sofisticação e brasilidade. 4. Soluções que repensam a lógica para o mercado de arquitetura. 5. Narrativa que encanta a partir da identidade e do calor do design brasileiro.
Visão geral do mercado
Concorrentes percebidos como genéricos, confusos, tradicionais ou só tecnológicos. O território escolhido combina raiz, estrutura, cultura, sofisticação, criatividade e excelência.
Assinatura
“Talento nas alturas. Alagoas no coração.”
Contexto
Num Rock in Rio 2026 que não encheu tanto, o K-pop foi exceção. Stray Kids tem recorde inédito: 9 álbuns estreando em 1º lugar na Billboard 200, o maior número entre grupos do século XXI.
O sistema
Experiência: música, coreografia, estética. Canal: ciclo ágil de novidades. Assets: mascotes, merchandising, lifestyle. Comunidade: fandom (Stays), diálogo com cada região, engajamento.
Hallyu
K-pop, K-food, K-drama e K-beauty formam um ecossistema cultural, e marcas de luxo como Tod’s, Burberry, Versace, Fendi, Louis Vuitton, D&G, Gucci e Cartier se conectam a ele.
3 · Captura
A capacidade de potencializar o seu papel no ecossistema em que está inserido e transformar cada asset e interação em grandes momentos de geração de valor.
Gera reconhecimento e impacto e aumenta o poder de competição e colaboração. A marca em constante crescimento e evolução.
Seu ecossistema é seu multiverso. Na “Odisseia” de première, Zendaya usou peças de Schiaparelli Alta-Costura, Givenchy vintage, Alexander McQueen de arquivo e Louis Vuitton, cada look com história própria. A Dior, que nunca riu de si mesma, se aproximou da A24.
Com olhar de cocriação, todo mundo pode ganhar. Zendaya e Law Roach transformaram o method dressing em plataforma criativa de milhões. Dior e A24 uniram moda, cinema e artes cênicas: a maison vira produtora e a A24 alcança status de luxo. Cocriação é oportunidade para narrar sua história em novos formatos e conectar com talentos emergentes e novas gerações.
Entretenimento · conveniente
Tempo, ou atenção, é nosso recurso mais valioso. Deve estar a favor das pessoas.
Pertencimento · personalização
Não existimos sem a conexão humana. O desejo de ser especial é central.
Imersivo · encantador
Ativa sentidos e sublima a realidade. A beleza encanta e distingue.
Marcas constroem memórias nos momentos de interação, em todos os pontos de contato da jornada (descoberta, consideração, compra, uso, fidelização). Mapeie os momentos para entender pontos de contato e power applications. Brand moments transformam interações comuns em momentos memoráveis, que criam significado, encantam, engajam e surpreendem.
Missão
Elevar o papel de Petra no portfólio do Grupo Petrópolis como cerveja premium, superando uma percepção envelhecida e sem narrativa clara.
Tensão e insight
O Brasil bebe a ideia de que o que vem de fora é melhor. Petra vem estabelecer o premium brasileiro.
Plataforma
Propósito: viver o prazer à brasileira. Arquétipo: Amante. Personalidade: magnética, criativa, refinada e calorosa.
Expressões e aplicações
Símbolo magnético, curvas calorosas, sofisticação sensorial e exclusividade brasileira, aplicados em embalagem, experiência, comunicação e engajamento.
4 · Coerência
Alinhar todos os pontos de contato, no curto, médio e longo prazo, para fortalecer a percepção de valor da marca.
Marcas não crescem por repetição mecânica, mas por coerência: cada ponto de contato expandindo a mesma história, no mesmo tom, com a mesma intenção.
Mergulhe na história e na arqueologia criativa da organização. Mapeie e construa um sistema visual, verbal e associativo que só a marca pode sustentar. Dê protagonismo ao que é mais reconhecido e icônico: timeless e timely.
| Camada | Pergunta |
|---|---|
| Histórica | Quais as grandes histórias singulares? |
| Simbólica | Que signos, símbolos e rituais foram (ou são) importantes? |
| Afetiva | O que conecta emocionalmente as pessoas? |
| Narrativa | Quais narrativas a organização constrói? |
| Territorial | Qual a origem geográfica e cultural e a relação com este território? |
| Estética | Como essa marca se expressou sensorialmente ao longo do tempo? |
Missão
Reaproximar a Brastemp do contexto atual, resgatando a força de uma marca histórica e icônica e atualizando sua relação com os consumidores.
O tesouro
Há 60 anos a Brastemp entende as mudanças comportamentais do brasileiro como ninguém. A marca perdia espaço como objeto de desejo, sobretudo entre os mais jovens.
Resultado
Evolução visual e verbal que preserva o reconhecimento. A marca retoma o lugar de maior autoridade do segmento: +14 pontos em diferenciação, aumento de market share e de preferência (Kantar).
Dicas para estimular grupos criativos
- Como a marca dialoga com seu público? Escute, entenda o contexto e entre na conversa.
- Investigue as tensões culturais, linguagens e funcionalidades que importam para a comunidade.
- Estimule o repertório diverso da equipe: diferenciação nasce do cruzamento de repertórios incomuns.
- Amplie o olhar para aprender com outras categorias.
- Crie experiências memoráveis em um enredo articulado em cada momento da jornada.
- Captura nasce da intenção de expandir presença na cultura e no ecossistema.
- Forme um inventário da sua arqueologia criativa.
- Não confunda seu tédio com saturação: quando você enjoa dos seus equities, o cliente está começando a reconhecê-los.
Arquitetura de marca
Toda organização evolui, cresce, adiciona ofertas e inova. As que crescem com valor são as que sabem colocar seu time em campo. A arquitetura potencializa a criatividade e impulsiona eficiência.
A arquitetura organiza decisões, estrutura um conjunto, direciona investimentos e dá clareza para o mercado. David Aaker propõe quatro modelos, que vão da máxima associação com a marca-mãe à máxima independência.
| Monolítica | Submarcas | Endossadas | Casa de marcas |
|---|---|---|---|
| ← + associação com a marca-mãe | + independência → | ||
| + risco de contaminação − diferenciação entre as ofertas − investimento | − risco de contaminação + diferenciação entre as ofertas + investimento | ||
Premissas para um bom desenho
Clareza
Entendimento fácil para o consumidor.
Expansão
Ampliar o portfólio sem esticar demais a marca.
Papel claro
Cada marca com função definida no negócio.
Investimento
Quanto mais marcas, mais investimento.
Papéis das marcas no portfólio (exemplo Alvoar)
Marcas estratégicas com raízes e arquétipos distintos: uma com raiz no semiárido do Ceará, arquétipo herói (“Coragem que alimenta corações”); outra com raízes mineiras, arquétipo criador (“Fazer dos afetos novos sabores”). Em outro portfólio, “Para os brasileiros poderem mais” (cara comum) convive com “Casa com Brasil. É outro mundo” (explorador).
Principais marcas; geram valor de imagem e de negócio.
Dão força e energizam a marca estratégica.
Trazem mudanças positivas significativas.
Evitam desgaste das estratégicas em brigas de mercado.
Crescer sem arquitetura é dispersão de valor.
Referências de criação
Quem constrói os fundamentos e quem repensa os fundamentos: Stefan Sagmeister, Bráulio Amado e Rejane Dal Bello.
Principais aprendizados
Criatividade é skill fundamental do século XXI, ainda mais na era da IA.
Um poder que o CBO destrava na organização e que deve estar em todo o time.
Marcas relevantes são plataformas criativas.
Cabe ao CBO e à equipe liderar com direção e criatividade.
Poder criativo potencializa a equação de valor.
Relevância, diferença, captura e coerência em todas as iniciativas.
Criatividade transforma pontos de contato em momentos de marca.
Converter dores da jornada em momentos de memória é ser relevante para as pessoas.
Arquitetura organiza decisões, direciona investimentos e dá clareza.
É o seu time em campo para ganhar.
Mais do que gerir assets, podemos criar mundos.
Mundos em que as pessoas vão querer entrar, gerando desejo, memórias e engajamento.
Plataforma Criativa
Definir os assets proprietários e criativos das empresas case.
Exercício em grupo: cada grupo aplica o framework à empresa case do seu briefing, a partir do Decodificador de Valor feito no Módulo 1.
- Escave a origem da marca, busque símbolos e momentos de relevância na sua história com os consumidores e nos pontos de contato de interação com o negócio.
- Encontre as oportunidades que existem para conectar melhor a estratégia do negócio com o modo de vida dos consumidores.
Estratégia em Ação
Professora Fernanda Galluzzi, Sócia e VP de Negócios
Recap: É, FAZ & FALA
Partimos de uma pergunta: como está sendo a sua experiência até aqui? E um recap do que aprendemos no primeiro dia.
As marcas mais valiosas do mundo alinham É, FAZ & FALA. Quando uma das dimensões falta, há desperdício de valor.
Não constrói valor de longo prazo. Falta consistência e coerência; cada esforço é como começar do zero.
A promessa não se tangibiliza na prática. Gera decepção e abandono.
Desperdiça potencial de crescimento.
Juntas, estratégia corporativa e estratégia de branding direcionam onde capturamos o melhor valor, pela equação de valor e pelas 3 ondas (produto, pessoas, propósito).
Branding é no gerúndio. Estratégia em ação.
Estratégia em ação
Colocar a estratégia em ação é onde se ganha ou se perde o jogo. A intenção precisa se tornar percepção: direcionar, agir, testar, medir e melhorar.
Flow da estratégia em ação
- Missão e KPIs. Dá clareza da missão e dos KPIs que vamos garantir no ano ou período.
- Clusters e diferenciais. Mapa de ação: define a parte da plataforma e mapeia clusters e diferenciais.
- Ideia criativa. Mapa de ação: a ideia criativa e os pontos de contato.
- Conexões. Viabiliza os canais para cada etapa do funil e público.
- Execução criativa. Cria as peças de todos os pontos de contato para garantir resultado.
- Gestão contínua de resultados. Mede o resultado dos esforços e revisita a jornada para corrigir a rota.
Publicidade, mídia, social, endomarketing, conteúdo, influenciadores, promoções, eventos, patrocínios.
Embalagem, POP material, ambientação, sinalização, lojas físicas, sites, aplicativos e experiências digitais.
Comunicar é contar história e dar significado. Exemplo: “Date More Human”, Jose Cuervo (2021).
A comunicação nas 3 ondas de valor
Seara Protein e a embalagem termocrômica da Dove destacam o benefício funcional. Contraexemplo: a Juicero prometia praticidade, mas os sachês podiam ser espremidos à mão.
Cif & Serasa Limpa Nome transformaram um meme em prêmios para quitar R$ 7 mi em dívidas. Coca-Cola Real Magic celebra a mesa. Contraexemplo: Pepsi com Kendall Jenner.
The Ordinary combate os excessos da indústria de beleza. The Economist questiona a “rendição cognitiva” à IA. Dove sustenta a Beleza Real.
Tudo em todo lugar ao mesmo tempo
Cada vez mais concorrentes, novos pontos de contato surgindo a todo momento e atenção dispersa numa cultura multitela. A comunicação precisa garantir os quatro fatores da equação de valor:
| Fator | Na comunicação | Exemplos |
|---|---|---|
| Relevância | Ser relevante para o público; construir algo que continue importando | Dove: “criar um mundo onde a beleza seja fonte de confiança e não de ansiedade” |
| Diferença | Ser diferente do que já foi feito; se destacar no formato e surpreender | Heinz transforma um detalhe afetivo em conexão; mar de leques Ipiranga no Rock in Rio |
| Captura | Engajar o ecossistema: construir uma relação que faça a pessoa permanecer, participar e compartilhar | Dove com avaliações reais; Dr. Pepper transforma sugestão de cliente em trilha; Vaselina (Grand Prix Social & Creator) |
| Coerência | Ter equities e consistência narrativa, com códigos visuais, verbais e sonoros inconfundíveis, atualizados ao tempo e contexto | Mastercard Priceless desde 1997; Dove de Evolution (2006) a Dove Code (2024) |
Gestão integrada de execução
Sem alinhamento entre marca, negócio e comunicação, a execução vira gasto e desperdício de valor. Com alinhamento, vira investimento e construção de valor.
Exemplo: numa receita de 1.000.000, o orçamento de marketing seria 77.000; com 30,6% em mídia paga, isso dá 23.562, ou 2,36% da receita. Como ter resultado sem verbas milionárias? Mapeando todos os canais à disposição, porque todos os pontos de contato influenciam a percepção da marca. Normalmente o foco está só na mídia paga; para rentabilizar, é preciso a visão do todo.
Ecossistema integrado de mídia
Site, blog, redes oficiais, app e push, newsletters, webinars, pontos de venda, embalagens, call center, uniformes.
Parcerias e conteúdo colaborativo, fóruns e comunidades, comentários, colaborações com influenciadores.
PR, compartilhamento orgânico, avaliações, testemunhos, menções espontâneas, conteúdo gerado por usuários.
Ads em redes e Google, vídeo e programática, branded content, TV/rádio/impresso, patrocínios, experiências, OOH e DOOH.
Mapa do consumidor
| Persona | Cluster | Consumidor estratégico |
|---|---|---|
| Olhar para a base: público que já se conecta. Cruzamento de CRM e pesquisas quanti e quali da base. | Olhar para o mercado: públicos potenciais. Cruzamento TGI + Ad Console. | Personas + clusters + visão de negócio. Clareza dos clusters prioritários e aprofundamento comportamental. |
Exemplo de ecossistema integrado de comunicação: “Isso é muito Cheetos”, com diversão irreverente em todas as mídias.
Como construir uma marca citável (GEO)
Além de distribuir mensagens entre as mídias, a marca precisa garantir que sua história seja encontrada, compreendida e recomendada pelas novas interfaces de busca. A lógica muda de “quais são os melhores produtos?” para “qual é o mais adequado para o meu perfil?”: relevância, não apenas ranking. A IA reconhece a marca? Como a descreve? Em quais contextos a recomenda? Com quais concorrentes a associa?
Proposta de valor clara
O que oferece, para quem, qual problema resolve, em que é diferente e por que deve ser considerada.
Associações proprietárias
Ser citada é importante; ser citada pelo motivo certo é estratégico.
Consistência de formatos
Site, imprensa, redes, reviews, marketplaces, entrevistas, especialistas, comunidades e bases públicas.
Conteúdo que responde
Perguntas reais: quando vale pagar mais, diferenças entre alternativas, limitações, como usar e contratar.
Provas próprias
Dados, pesquisas, estudos de caso, depoimentos, comparativos, metodologias e resultados mensuráveis.
Autoridade e reputação
Menções em fontes confiáveis: PR, editorial, especialistas, veículos de referência, avaliações e criadores críveis.
SEO coloca a marca diante da pessoa. GEO ajuda a colocar a marca dentro da decisão.
Branding e performance: um falso dilema
| Era da interrupção | Era da performance | Era do sentido |
|---|---|---|
| 1955–1995 (40 anos). Alcance em massa, pouca segmentação, mídia tradicional e interrupção. | 1995–2020 (25 anos). Digitalização, mensuração, segmentação avançada e centralidade nos dados. | 2020–2025 (5 anos, era emergente). Centralidade no consumidor, conexão emocional, propósito, IA e presença com sentido. |
“Há 20 anos vimos a mudança do offline para online, depois para performance marketing, que tirou uma fatia enorme do brand marketing. IA usada estrategicamente permite que o poder da personalização traga essa fatia de volta.”
Nem só um, nem só outro: quem busca resultado precisa gerar valor. A construção de marca traz impacto direto na rentabilidade da aquisição de clientes (Binet & Field, 2013). Branding constrói awareness no topo do funil (médio e longo prazo). Performance traz resultado na base do funil (curto prazo). Combinados, formam o BrandGrowth: resultado mensurável com relevância para as pessoas.
A maior parte dos potenciais compradores não está pronta para comprar hoje: 75% das empresas trocam computadores a cada 4 anos, 80% trocam o banco principal a cada 5 anos e 90% dos consumidores trocam de carro a cada 10 anos. Cada negócio tem sua necessidade, e é preciso medir resultado: performance mede comportamento (views, cliques, downloads); branding mede awareness, consideração, preferência e atributos de imagem.
Teste
Célula A recebeu só investimento de fundo de funil. Célula B recebeu o mesmo valor, dividido em 40% topo e 60% fundo.
Resultado
A célula B teve 1,6x mais ROAS, 31% menos custo por conversão incremental e estabilidade do ROAS em vendas online.
A comunicação na jornada
A comunicação articula mensagens-chave em cada etapa, construindo valor de acordo com os objetivos de marca e negócio. Exemplo da bicicleta elétrica Ella:
| Etapa | Motivação | Pontos de contato | Mensagem |
|---|---|---|---|
| Conhecimento | “Existe outra maneira de me locomover?” | OOH, rádio no trânsito, podcasts, Waze | Coloca luz no problema e apresenta Ella como solução |
| Consideração | “As bikes elétricas cabem na minha realidade?” | Google, YouTube, TikTok, avaliações | Diferenciais, atributos e chancela da bateria Moura |
| Compra | “Ella é confiável e cabe no bolso?” | Ponto físico, test-ride, mídia de performance | Comparativos com outros modais e CTAs imperativos |
| Uso | “Vem montada? Vou ter ajuda?” | Site, central de atendimento, unboxing | Evidencia um novo momento na rotina |
| Fidelização | “Estou usando tanto quanto pensei?” | Redes sociais, Reclame Aqui, consultor | Mantém a proximidade com a marca |
Cases
Desafio
Uma marca conhecida, mas ainda pouco compreendida em toda a sua potência.
Plataforma
Propósito: resolver é surpreender. Arquétipo: Cuidador. Personalidade: resolutiva, inspiradora, desbravadora, especialista. Tagline: Surpreender é nossa tecnologia.
Ideia criativa
A tecnologia também tem som: o bip do alarme, o clique da fechadura, o toque do interfone. E se esses sons virassem música? Para sua casa, seu negócio, seu projeto, para todos os ritmos.
Execução
Awareness com situações reais de uso, consideração conectando produtos à rotina, conversão com preço, promoções e CTAs. Públicos: do seu jeito (B2C), SMB e grandes projetos. Meta master: crescer 11,8% em receita.
Contexto
Líder em desodorantes em creme e 4ª maior marca de desodorantes. Produto natural e funcional, com marca sem personalidade e comunicação inconsistente, mas com um trunfo: fãs.
Plataforma
Tensão: cuidar da autoestima não precisa ser burocrático e chato. Propósito: autoestimíssima que se passa no corpo. Personalidade: queridíssima, irreverente, confiável, segura de si. Tagline: Poderosíssimo.
Expressões e aplicações
Produto poderosíssimo, corpo com atitude, ângulos inusitados, autoestima bem-humorada. Aplicado em embalagem, PDV, rede social e lifestyle.
O que levamos daqui
Construir as 3 ondas de valor.
Produto, pessoas e propósito, com relevância, diferença e coerência, capturando o valor do ecossistema e alinhado à estratégia.
Comunicação eficiente começa na clareza de quem a marca é.
A criatividade amplifica o que já foi bem definido.
Dá para construir valor sem verbas milionárias.
Com a visão do todo: mídia proprietária, compartilhada, ganha e paga.
Não é ativar diversas frentes.
É orquestrar e alinhar todas elas com consistência.
Quem busca resultado tem que gerar valor.
Branding e performance juntos: BrandGrowth.
Mapa de Ação
Definir as narrativas e as mensagens das ondas de valor. O mapa conecta a plataforma de branding à missão do cliente, aos clusters, à ideia criativa e às métricas de cada onda.
- Missão e KPIs do ano ou período.
- Clusters e diferenciais a partir da plataforma.
- Ideia criativa e pontos de contato.
- Conexões: canais para cada etapa do funil e público.
- Execução criativa das peças.
- Gestão contínua de resultados, revisitando a jornada para corrigir a rota.
Taxa de conversão
Download de aplicativo
Vendas e market share
Leads
Acessos ao site
Share de busca
Brand equities
LTV
Cross-selling
Recompra
Taxa de rejeição
Churn
Base de seguidores
Engajamento
BVS
NPS
Exemplo Intelbras. Arquétipo Cuidador · propósito “Resolver é surpreender” · tagline “Surpreender é nossa tecnologia” · meta master: crescer 11,8% em receita · clusters: governo, decisores corporativos, pequenas e médias empresas, consumidor final · ideia criativa: Tecnologia no seu ritmo · Onda 1: soluções em segurança, conectividade e energia · Onda 2: resolve para você, sua casa e sua empresa, no seu ritmo, com produtos de sons proprietários · Onda 3: resolver é surpreender.
Exemplo cosméticos. Ideia criativa: “Bem estar bem” · Onda 1: produtos de tratamento para rosto, corpo, cabelos e perfumaria, feitos com ingredientes naturais · Onda 2: bem-estar com relações harmoniosas do indivíduo consigo mesmo e com os outros · Onda 3: faz bem para a Amazônia, o ecossistema e as pessoas, usando a cosmética como ampliadora de consciência.
Branding e Growth
Professor Gabriel Mineiro, CEO e co-founder Growth Leader Academy
A mística do crescimento
Sobreviver já é difícil. Crescer é muito difícil. Crescer no ritmo de alguns fenômenos do mundo tech parece milagre, ou até mágica.
O padrão do crescimento tradicional: cresce de forma orgânica, com gente apaixonada pelo trabalho, entrega de qualidade que gera indicação, muito esforço e dedicação, problemas resolvidos na força bruta e muita frustração pelo caminho.
Muito mérito, pouco método. Crescer na força bruta é caro para o empreendedor, financeira e emocionalmente.
Os 2 princípios do crescimento acelerado
Podem ser usados por qualquer empresa.
Geração de demanda
Dominar um canal de aquisição e gerar demanda previsível, sem depender de indicação e relacionamentos.
Experimentação
Buscar caminhos alternativos com risco controlado. Sair do que todo mundo faz e já está caro.
Geração de demanda e canais de aquisição
O canal de aquisição é o meio pelo qual a mensagem chega ao público ideal. Qual o canal ideal para o seu negócio? Depende. Não é um teste de revista, é um jogo de xadrez.
Curva S de canais
Todo canal passa por teste, crescimento, maturidade e descontinuidade.
- Baixa concorrência
- Alto risco e alto potencial
- Não está claro como funciona
- Exige rapidez para aproveitar a oportunidade
- Confiança elevada e risco baixo
- Alta concorrência
- Alcance em declínio
- Custos crescentes
8 parâmetros para escolher o canal
| Parâmetro | O que avaliar | O que ajuda |
|---|---|---|
| 1. Presença do público ideal | O canal só funciona se o seu público estiver lá. Valide antes de investir. | Pesquisa de persona, entrevistas, análise de concorrentes, dados de audiência. Ex.: RH → LinkedIn e eventos; médicos → eventos e parceiros; empresários → grupos e comunidades. |
| 2. Educação do consumidor | Quanto mais novo ou complexo o produto, mais é preciso educar, criar a dor e a urgência. | Conteúdo (YouTube, newsletter), eventos próprios, palestras, webinars e cursos. Ex.: RD Station educou o mercado sobre inbound. |
| 3. Credibilidade | Financeiro, saúde e enterprise exigem mais autoridade. Credibilidade pesa mais que preço. | PR, presença dos fundadores, influenciadores, eventos, certificações, grandes clientes. |
| 4. Venda complexa ou transacional | Complexa: múltiplos decisores, processo consultivo. Transacional: volume e velocidade. | Complexa: ABM, eventos, conteúdo, parceiros, social selling. Transacional: ads, marketplaces, afiliados. |
| 5. Resultado a curto prazo | Precisa tracionar rápido? Canais de retorno imediato, mesmo com CAC mais alto. | Anúncios e outbound são rápidos; conteúdo, eventos e influenciadores levam mais tempo. |
| 6. Quanto dinheiro você tem | Eventos e PR exigem capital; outras estratégias dá para testar barato. | A magia de growth sempre foi encontrar os caminhos alternativos. |
| 7. Força do concorrente | Se o concorrente domina um canal, romper a barreira de atenção custa caro. | Diferenciação de mensagem, novos formatos, canais emergentes, reposicionamento. |
| 8. Sua vantagem injusta | O que você tem que é muito difícil de copiar? | Marca, relacionamentos, dinheiro, tecnologia, clientes, dominância local, influência e autoridade, infraestrutura. |
Quais canais existem? Muitos.
Acordos e parceriasApresentações e palestrasAssessoria de imprensaJogadas publicitáriasTrade showsEventos própriosPrograma de afiliadosPublicidade tradicionalPublicidade onlineEngenharia como marketingPlataformas existentesMarketing de conteúdoBlogSEOE-mail marketingSEMMarketing viralComunidadeVendas
Alta intenção de compra. Muito bom para produtos e serviços conhecidos. Fácil, rápido e barato de testar. Baseado em leilão: a conta tem que fechar.
Segmenta por perfil e comportamento. Muito bom para compras por impulso. Remarketing: acompanhar o lead com mensagens diferentes.
Aluguel de autoridade. Pede relações mais longevas. Canal caro e pulverizado.
Atrai pela dor e filtra pelo perfil. Bom para negócios que exigem educação. Jogo de volume e qualificação; constrói autoridade aos poucos.
Ótimo para trabalhar leads do pipeline. Conexão de verdade, traz autoridade, e você é dono do canal.
Ferramenta gratuita que atrai o lead (calculadora, diagnóstico, quiz). Entrega valor antes da venda e coleta informação.
Experimentação
A maioria das empresas trava ao testar coisas novas: “ah, mas e se…?”. Um experimento não serve para ter certeza. Serve para reduzir incerteza.
4 técnicas de teste
Entrevista quali
Percepções imediatas e qualitativas para definir bem a persona. Não tem relevância estatística, mas revela pontos muito divergentes.
Anúncios
A melhor forma de ter resultado imediato e com volume. Métricas intermediárias como cliques e engajamento ajudam a formular hipóteses melhores.
Smoke test
Testa discurso e intenção antes de construir: landing page com promessas e telas, CTA “Quero saber mais” ou “Lista de espera” e formulário sobre usuário, dor e expectativa.
Criatividade
As técnicas ajudam, mas o essencial é identificar algo que deixe o time confortável para dar o próximo passo. Como testar o canal “evento”?
Principais aprendizados
Crescimento acelerado não é mágica.
Troque a força bruta por método: geração de demanda e experimentação.
Canal é xadrez.
Escolha pelos 8 parâmetros e pela posição do canal na curva S.
Poucos canais.
80% no canal que paga as contas, 20% na aposta que pode mudar o jogo.
Experimento reduz incerteza.
Defina prazo e condição de continuidade antes de começar.
Jogadas de Aquisição
Definir uma estratégia e um canal conservador e uma estratégia e um canal mais audacioso para a marca, e desenhar o experimento que vai validar a aposta.
- Reúna o material da marca: proposta de valor, público, provas, brand moments, ticket, recursos disponíveis e como os clientes chegam hoje.
- Avalie os canais pelos 8 parâmetros abaixo.
- Escolha 1 canal conservador (80% dos recursos) e 1 audacioso (20%).
- Para o audacioso, defina prazo máximo e condição de continuidade antes de começar.
=== CONTEXTO Quero abrir a cabeça para novas estratégias e canais de aquisição. Para isso, quero estudar e aprender com cases e empresas internacionais que estão fazendo algo diferente e inspirador. Seu objetivo é fazer uma busca profunda e gerar uma lista de 20 empresas/cases para eu fazer uma análise profunda e aprender como posso usar isso a meu favor. === O QUE É MINHA EMPRESA A minha empresa é [nome da sua empresa, site e principais características]. === COMO DEVE SER SUA BUSCA Traga 20 estratégias de aquisição diferentes, sendo 5 de empresas similares e do mesmo mercado e 15 de outros mercados. Considere: influencers e embaixadores, engineering as marketing, anúncios pagos, social selling e estratégias e táticas pouco usuais. Seja audacioso: traga cases muito diferentes, de preferência de empresas pouco conhecidas. === ONDE BUSCAR Estudos de caso, entrevistas com fundadores e executivos, podcasts que aprofundam os cases, referências como HBR e First Round Review, relatórios internacionais de desempenho e, depois, fontes institucionais (site, notícias, redes, comunicados). === COMO DEVE SER SUA ENTREGA Tabela com: 1) empresa, 2) URL do site, 3) descrição, 4) estratégia de aquisição e canal utilizados com detalhes, 5) resultados de destaque e por que o case foi escolhido, 6) como posso me inspirar nessa estratégia.
Use a skill de jogadas de aquisição. Conduza comigo o exercício começando pelo material da nossa marca. Não pule etapas. Nossa marca: [proposta de valor, público, provas, brand moments, e o que souberem de ticket, recursos disponíveis e como os clientes chegam hoje. Pode ser bagunçado. Fotos do flipchart valem.]
No Claude, instale a skill de jogadas de aquisição distribuída em aula. No GPT ou Gemini, anexe os arquivos de instruções e banco de jogadas e peça para a IA ler os dois inteiros antes de responder.
Leituras de apoio
Materiais que aprofundam os temas dos módulos
Category of One: o marketing dos fundadores
Nizan Guanaes, CEO N.Ideias
Os fundadores que admiramos não começaram com orçamentos ilimitados. A necessidade os forçou a encontrar outro caminho. Quando você não pode vencer o jogo existente, mude o jogo.
“Você não vence um campeão de xadrez jogando xadrez. Convide-o para jogar pôquer.”
Nizan GuanaesCategory of One significa mudar o jogo que você está jogando. Não tente ser o melhor da sua categoria: crie uma categoria que você possa possuir. Uma categoria de um só torna a comparação direta irrelevante. Sua marca é a sua história. Se você não tem uma, construa.
Como os fundadores fizeram
Transformou roupa outdoor em declaração de ativismo.
Fez a tecnologia parecer humana, descomplicada e simples.
Transformou uma bebida em empresa de mídia e entretenimento, patrocinando esportes improváveis.
Tornou visível a qualidade do produto quando os concorrentes o escondiam. Transparência virou prova de confiança.
Reimaginou o automóvel como plataforma tecnológica integrada: baterias, eletrônica e veículo num só sistema.
São marcas construídas sobre pontos de vista claros, cultura forte e prova consistente. Na trajetória de Nizan, a lógica aparece antes de ter nome: construir publicidade a partir da cultura brasileira quando as agências globais copiavam a americana, e escolher só 8 clientes na Africa para fazer trabalho excepcional. O que não fazer também virou diferença.
O playbook Category of One
- Defina o seu ponto de vista.
- Recuse o jogo existente e mude as regras.
- Transforme cada escolha em prova.
- Possua uma categoria com a qual ninguém possa te comparar.
Perguntas para refletir
- O que você já faz que pode virar ativo?
- O que você se recusa a fazer que pode virar ativo?
- Como tornar o jogo diferente do seu oponente com os recursos que você tem?
- Que categoria só você poderia possuir?
KPIs e métricas de branding e growth
Informação não é mais um recurso escasso; a atenção é. Em um mundo de abundância, o valor está nos ativos intangíveis: confiança, tempo e identidade.
Growth é um conjunto de estratégias para promover o crescimento com base em experimentos rápidos e dados, escalando resultados com eficiência e baixo custo. Popularizado por Sean Ellis com o funil pirata AARRR: aquisição, ativação, retenção, receita e referência. Mais do que isso, é um modelo mental de crescimento a partir da visão integrada de todos os esforços da empresa. Branding Growth é aumentar impacto, LTV e lucratividade.
O contexto: tempos exponenciais
Cada revolução chegou mais rápido que a anterior: cognitiva (70 mil anos), agrícola (12 mil), científica (500), industrial (300) e digital (agora). O tempo para atingir 50 milhões de usuários caiu de décadas para dias. Segundo Eric Schmidt (2010), a cada poucos dias criamos tanta informação quanto toda a humanidade até 2003.
Cases: branding + growth
| Case | Desafio | Branding | Growth |
|---|---|---|---|
| OpenAI | Competição com Google e Microsoft; escalar infraestrutura | Rebranding em fev/2025 para uma identidade mais moderna e humana; ferramenta de imagens no estilo Ghibli, depois com restrições para respeitar direitos autorais | Modelo freemium; entre 800 mi e 1 bi de usuários ativos após a ferramenta de imagens |
| Airbnb | Convencer as pessoas a confiar em hospedagem compartilhada | “Belong Anywhere”: experiências autênticas e conexões locais | Programa de indicação com créditos para os dois lados: +300% em inscrições e reservas em 30 dias (2021) |
| Dropbox | Mercado saturado de armazenamento em nuvem | Identidade simples e clara que transmite confiança; foco em experiência | Espaço extra por indicação: +3900% em 15 meses |
Táticas por etapa da jornada
Branding e PR, conteúdo e SEO, influenciadores e parcerias, eventos e webinars, mídia paga. Ex.: mascote Duo nas redes.
Prova social, trials e amostras, landing pages otimizadas, nutrição de leads, demonstração. Ex.: teste grátis de 30 dias.
Urgência e escassez, garantia e risco zero, pagamento flexível, retargeting, CTA direto.
Onboarding simplificado, gamificação, pós-compra, suporte proativo, entrega rápida.
Programas de indicação, UGC, comunidade ativa, customer success, boca a boca.
Fidelidade e cashback, engajamento contínuo, upsell e cross-sell, pertencimento, suporte excepcional.
A jornada real é infinita, interconectada, informativa e imperfeita. Growth é hackear a jornada do consumidor para entrar no dia a dia dele e se tornar indispensável, na economia da expectativa.
A virada da IA
Em um ano, a IA deixou de ser promessa e virou infraestrutura do trabalho, da busca, da criação, da produtividade e da tomada de decisão. Quem não pensa sobre o futuro resolve o presente com as ferramentas do passado: futurismo é a habilidade de detectar tendências em negócios, política, meio ambiente e comportamento. O comercial mais viral das finais da NBA, da fintech Kalshi, foi feito 100% com IA por uma pessoa, em 48 horas, com US$ 2 mil.
| Era SaaS | Era IA | |
|---|---|---|
| Regras | → | Contexto |
| Segmentos | → | Indivíduos em tempo real |
| Fluxos pré-definidos | → | Decisões adaptativas |
| Campanhas | → | Interações contínuas |
| Jornada estática | → | Experiência dinâmica |
Antes, criar jornadas; agora, gerar experiências: conteúdo dinâmico por estágio, CRM com próxima melhor ação, campanhas que se adaptam ao comportamento, atendimento que vira fonte de dados e e-commerce guiado por descoberta. Growth na era da IA é construir sistemas que entendem contexto, decidem rápido e entram no dia a dia do consumidor com relevância. O mundo agora é dos polímatas: aprendizagens múltiplas, em velocidade constante.
Onde branding vira growth
Assets são elementos únicos e consistentemente associados à marca: forma do logo, paleta, mascote, som, tom de voz, formato de conteúdo. Não são o que torna diferente; são o que faz ser reconhecido. A lógica: marca reconhecida → anúncio processado mais rápido → CTR maior ao mesmo CPM → mais cliques com o mesmo orçamento → CAC cai sem mudar lance.
Marcas não crescem só por diferenciação; crescem por disponibilidade mental. O KPI mais importante não é apenas a conversão, mas quantas situações de compra a marca ocupa. O que o modelo de atribuição enxerga é a parte que ficou para o final; o branding é o que criou a intenção.
Conta a história completa da interação das pessoas com a marca.
Conjunto de interações que compõe a jornada.
Resultado específico e mensurável que se deseja alcançar.
Reduzir a fricção em cada etapa do funil (CRO, conversion rate optimization). O jogo é adquirir e reter.
Métricas por etapa do funil
| Etapa | # Numéricas | % Percentuais | R$ Monetárias |
|---|---|---|---|
| Conhecimento | Impressões, alcance | — | CPM |
| Consideração | Cliques, tempo de permanência | CTR, taxa de rejeição | CPC |
| Captação | Leads | Taxa de conversão da LP | CPL |
| Compra | Compras | Taxa de conversão | CAC |
| Fidelização | — | Churn | — |
Fórmulas essenciais
| Métrica | Fórmula | Exemplo |
|---|---|---|
| CPM · custo por mil impressões | (investimento ÷ impressões) × 1.000 | R$ 200 ÷ 40.000 × 1.000 = R$ 5,00 |
| CPC · custo por clique | investimento ÷ cliques | R$ 300 ÷ 600 = R$ 0,50 |
| CPV · custo por visita | investimento ÷ visitas | R$ 500 ÷ 1.000 = R$ 0,50 |
| CPL · custo por lead | investimento ÷ leads | R$ 1.000 ÷ 200 = R$ 5,00 |
| CPA · custo por aquisição | investimento ÷ conversões | R$ 2.000 ÷ 50 = R$ 40,00 |
| ROAS · retorno sobre gasto em anúncios | receita ÷ gasto com anúncios | R$ 10.000 ÷ R$ 2.000 = 5x |
| ROI · retorno sobre investimento | [(receita − custo total) ÷ custo total] × 100 | (20.000 − 15.000) ÷ 15.000 = 33,3% |
| CTR · taxa de clique | (cliques ÷ impressões) × 100 | 500 ÷ 10.000 = 5% |
| LTV · lifetime value | ticket médio × nº médio de compras × tempo de retenção | R$ 100 × 3 × 6 = R$ 1.800 |
Identifique o gargalo antes de otimizar
| Etapa | Saudável | Alerta | Ótimo | Onde investigar |
|---|---|---|---|---|
| Visitas → leads | 2–8% | < 1% | > 8% | Proposta de valor ou público errado |
| Leads → qualificados | 15–35% | < 10% | > 35% | ICP ou qualidade do tráfego |
| Qualificados → proposta | 25–55% | < 20% | > 55% | Objeções, timing, concorrência |
| Proposta → fechamento | 20–45% | < 15% | > 45% | Preço, urgência ou confiança |
Dashboard integrado: branding + growth
| Brand health · mensal | KPIs ponte · semanal | Growth · diário |
|---|---|---|
| Awareness não assistida > 20% (líder de categoria) | Busca branded: > 20% de crescimento anual | CAC blended < LTV ÷ 3 |
| Awareness assistida > 60% do mercado endereçável | Tráfego orgânico > 45% das sessões | CAC orgânico < 30% do CAC pago |
| Consideração > 35% de quem conhece | Tráfego direto > 20% das sessões | LTV/CAC > 3x (SaaS) ou > 5x (DTC) |
| Preferência declarada > 20% | Taxa de referral > 15% dos novos usuários | Payback < 12 meses |
| NPS > 50 | MQLs inbound > 60% do total | Churn anual < 5% B2B · < 25% DTC · < 40% consumo |
| Share of voice ≥ share of market (ESOV positivo) | Logo retention > 90% ao ano | Expansion revenue > 20% do MRR |
| Sentimento médio > 3,5/5 nas menções | Receita orgânica ≥ 30% do total | Receita orgânica ≥ receita paga |
Fontes sugeridas: brand tracker, Brandwatch e BVS (mensal); GSC, GA4 e CRM (semanal); BI, financeiro e data warehouse (diário).
Growth é testar rápido para aprender com dados
Imagem vs vídeo, ângulo da mensagem, título e hook, proposta de valor.
Segmentação, lookalike, interesses, retargeting.
Preço, benefícios, garantia, bônus.
Headline, CTA, estrutura, provas sociais.
SEO, conteúdo, social, comunidades. Arquitetura de campanha e escala.
Cadência de retenção, upsell e cross-sell, incentivos de recomendação.
IA aplicada por etapa do funil
| Etapa | A IA aplica | Ferramentas citadas |
|---|---|---|
| Awareness | Conteúdo em escala, SEO semântico, pesquisa de tendências | Claude, Perplexity, Jasper, SurferSEO |
| Consideração | Qualificação de leads, copy personalizado, análise de objeções | Clay, Smartlead, HubSpot AI |
| Conversão | A/B de copy e criativos, retargeting inteligente, otimização de LPs | Meta Adv+, Google PMax, Unbounce AI |
| Uso e retenção | Onboarding personalizado, suporte com IA, próxima melhor ação | Intercom AI, Amplitude |
| Fidelização | Churn preditivo, timing de upsell, UGC automatizado | ChurnZero, Gainsight, Klaviyo AI |
O branding atrai, o growth transforma.
Um inspira; o outro impulsiona.
Não há escolha sem lembrança.
E não há recompra sem experiência.
Velocidade > perfeição, com IA no loop.
Quem testa mais rápido ganha.
Branding é growth estratégico; growth é branding em execução.
O CBO do futuro não gerencia branding. Gerencia o sistema completo.
IA na prática
O segredo não é saber tudo: é testar rápido e iterar sempre. Aprenda, teste, itere, aplique e repita. Antes de colar dados reais em uma ferramenta de IA, anonimize informações pessoais e sensíveis de clientes.
“Analise estas métricas de funil [dados]. Identifique o gargalo principal, sugira 3 hipóteses de causa e 3 experimentos prioritários para a próxima sprint.”
“Produto: [X]. Público: [Y]. Etapa: Consideração. Gere 5 headlines com ângulos distintos: racional, emocional, prova social, urgência e curiosidade.”
“Comportamentos dos clientes que cancelaram nos últimos 90 dias [dados]. Encontre padrões anteriores ao cancelamento e sugira intervenções por timing de jornada.”
Testes sugeridos no Claude: criar um toolkit visual para uma marca fictícia (paleta, tipografia, tom de voz, logo em SVG e post), montar o plano de comunicação de um lançamento (posicionamento, e-mail, LinkedIn, stories, anúncio e timing), construir um app que analisa copy de anúncio e gerar um dashboard interativo a partir de uma planilha.